Contas de Merceeiro
Resultados do 1S26 da Mota-Engil. Vamos às contas.
Por Ricardo Alves · · 2 min de leitura
- Empresa
- Mota-Engil, SGPS, S.A.
- Ticker
- EGL
- Bolsa
- Euronext Lisboa
- Setor
- Engenharia e Construção
- Cotação na data
- 4,82 €
- ISIN
- PTMEN0AE0005
Introdução
Hoje a Mota-Engil, que eu analisei recentemente, nesta análise, apresentou os resultados do primeiro semestre de 2026.
Estes resultados foram de acordo com o que eu esperava e comprovam a capacidade de execução do grupo.
Contas de Merceeiro
Quero só deixar aqui umas contas de merceeiro, com dois cenários, e duas possíveis cotações para o final de 2026 da Mota.
Tendo em conta a carteira de encomendas e a dívida controlada, considero que um P/E justo, ou até mesmo conservador para a empresa, seria um P/E de 12.
É preciso também dar o contexto que no primeiro semestre de 2025, a margem líquida foi de 2,2% e que no segundo semestre de 2025, esta subiu para 2,5%. Relativamente ao volume de negócios, tivemos sensivelmente 5300M de euros em 2025.
Nestes resultados, e de acordo com o guidance dado pela gestão, é estimado um aumento de 10-15% do volume de negócios para este ano, referente ao ano passado. O que faz sentido, tendo em conta o início de vários projetos de elevada dimensão. Pelo que podemos contar com cerca de 5800M - 6100M de volume de negócios, de acordo com o plano Building26.
Como vimos mais acima, estamos com uma expansão da margem líquida, e, nos resultados do primeiro semestre de 2026, começámos os primeiros 6 meses com uma margem de 2,6% (é normal a margem aumentar no final do ano por uma questão de fecho de contas dos concursos públicos e respetivo orçamento do ano, entre outros fatores).
Com o parágrafo supracitado em mente, vamos às contas:
Primeiro cenário - mais conservador
O volume de negócios aumenta da forma mais contida e acaba 2026 em 5800M.
Em semelhança a este crescimento mais contido, temos também uma margem que cresce moderadamente, terminando a empresa com uma margem líquida de 2,8%.
Resultado líquido = 5800M × 0,028 = 162,4M
Vamos arredondar por baixo para os 160M.
Arredondado por excesso o número de ações para 307M (cujo arredondamento faz com que as contas sejam menos favoráveis):
EPS = 160M ÷ 307M = 0,521
Para termos um P/E de 12:
Preço da cotação = 12 × 0,521 = 6,252 euros
Segundo cenário - mais otimista
O volume de negócios aumenta da melhor forma prevista e acabamos 2026 com cerca de 6100M.
Em semelhança a este crescimento mais expansionista, temos também uma margem que cresce conforme previsto pela gestão, terminando a empresa com uma margem líquida de 3%.
Resultado líquido = 6100M × 0,03 = 183M
Vamos arredondar por baixo para os 180M (valor no guidance do plano estratégico Building26).
Arredondado por excesso o número de ações para 307M (cujo arredondamento faz com que as contas sejam menos favoráveis):
EPS = 180M ÷ 307M = 0,586
Para termos um P/E de 12:
Preço da cotação = 12 × 0,586 = 7,032 euros
Resumindo e baralhando
O cenário mais conservador dá-nos um upside, ao preço de fecho do dia de hoje (4,82 euros) até ao final deste ano de:
6,252 − 4,82 = 1,432 euros
1,432 ÷ 4,82 = 29,7% de subida
O cenário mais otimista dá-nos um upside, ao preço de fecho do dia de hoje (4,82 euros) até ao final deste ano de:
7,032 − 4,82 = 2,212 euros
2,212 ÷ 4,82 = 45,9% de subida
O sábio Mohnish Pabrai diria: «Heads, I win; tails, I don’t lose much.»
Eu diria: «Heads, I win; tails, I win even more.»
Vamos ver o que o futuro nos reserva, o futuro só a Deus pertence! Bons negócios!
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